terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quem procura acha


Uma realidade bem longe da qual o livro nos mostra. Nesse final de semana, participei de uma pesquisa com o objetivo de levantar informações sobre a preferência de marcas de bens e serviços na cidade de caruaru. Foi uma experiência interessante, tanto do fato de conhecer a cidade, como do fato de conhecer uma realidade distante do campo das ideias.

A cidade de caruaru é enorme, maior do que havia imaginado e conhecido. Como a pesquisa dividiu os bairros para os pesquisadores, pude desfrutar de conhecer um total de 5 bairros, onde todas as pessoas que ali moravam- as pessoas que eu entrevistei, claro- viviam com uma média de um salário mínimo por mês. Diante de casas de barro, casas de madeira desgastadas, com poucos móveis e pouca comida, mas com um número alto de pessoas e quase sempre pessoas bondosas, pude ver de perto o que é ser esquecido ou ignorado. As ruas quase sempre esburacadas; vias de barro; iluminação precária. Por mais que eu subisse e descesse ladeiras, por mais que entrasse em um novo bairro, parecia estar no mesmo lugar, na mesma situação...  parecia estar esquecido.

São aglomerados de casas e pessoas pobres. Esses bairros não têm nada para oferecer. Estão sujeitos a qualquer hora de serem riscados do mapa. Por mais que as pessoas dali continuem a consumir produtos, são produtos baratos e necessários. Não creio que uma família que sobreviva com um salário mínimo pode ser rendoso para o estado. Não creio também, que aquelas pessoas iletradas tenham capacidade de reivindicar melhorias para o bairro. São pessoas do interior, acostumadas com a vida simples, pessoas de grande coração, mas pouca informação. Torna-se lamentável ver que a cada garota, com 17 anos ou mais, já tem um filho, e não tem condições finaçeiras de cria-lo. Logo esses bairros vão aumentar, se tornarão cidades. Cidades pobres e até violentas. As futuras gerações, de alunos e leitores, terão uma grande decepção, ao ver um número tão grande de miséria no interior. Foi uma viagem de grandeza não só intelectual, mas de espírito.

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